segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Recordando


O sofá laranja se mostrava mais aconchegante naquele momento. Na TV, um filme digno de Oscar prendendo a atenção dos seus três espectadores. Lá dentro, na cozinha, a pizza se aquecia dentro do forno para logo ser devorada. Pela janela via-se a cidade que adormecia aos poucos, coberta por uma névoa branca e densa que escondia as luzes ainda acesas. Reunião de amigos, sessão de cinema, clube do Bolinha ou festa do pijama, talvez. Chamem como quiser. Um momento único já registrado na memória. Ali as risadas eram verdadeiras e incontroláveis. As lágrimas também eram reais, mas não continham dor nem tristeza. Era tudo encenação como um choro fajuto de um ator mexicano.
A pizza então se apronta e chama por estômagos famintos. Sentados à mesa, brindamos ao futuro com suco de uva dentro de pequenos copos verdes. Planos, confissões e a fome saciada. Tudo muito agradável e digno de bis. Creio acertadamente que a felicidade estava ali brindando também, rindo com cada sorriso, admirada com o brilho em cada olhar já sonolento.
Desejo que dias assim se repitam e que aquela sensação boa seja sempre constante.

Noite fria, amigos, filme, gargalhadas, planos, confissões e pizza. E que os próximos brindes sejam feitos com bastante Coca-Cola.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

[In]Sorte

blog de mario Alberto acordou às 9:00h da manhã, olhou o relógio de cabeceira pela décima vez e disse:
_”PUTA QUE PARIU!” (Alberto tinha uma reunião importantíssima no trabalho às 8:30h.)
Ele levantou ainda sonolento, calçou sua pantufa de ursinhos e gritou:
_”AI DROGA!” (Uma pequena abelha acabara de picar seu dedão.)
Alberto se encaminha então ao banheiro, tira seu pijama amarrotado, entra debaixo do chuveiro e liga a pequena chave para a água cair. Ele se molha, passa sabão em seu corpo troncudo, abre novamente a chave e exclama:
_ “O QUE EU FIZ PRA MERECER ISSO?!” (A água não caiu. Corte por falta de pagamento.)
Alberto sai do banheiro enraivecido, se enxugando com uma toalha já puída. Arruma-se apressadamente e sai de casa. O elevador demorava de chegar, parecia estar quebrado. Desceu então a escada pelos seis andares que o separavam da saída do prédio. Lá fora fazia frio. Havia chovido por toda a noite e a temperatura caíra bastante. Ele se encaminha então ao trabalho, planejando alguma desculpa que pudesse explicar sua ausência. Vira uma esquina logo à frente e esbraveja:
_ “INFERNO! FILHO DA MÃE OLHE POR ONDE ANDA!” (Um carro acabava de lhe jogar a água de uma poça na rua, molhando toda a sua calça.)
Alberto tenta inutilmente tirar um pouco do excesso de água da calça e logo desiste. Continua seu trajeto e logo chega a seu destino. No trabalho, cumprimenta Anita (a secretária) e entra naquela que costumava ser sua sala. Lá seu chefe o aguardava. Aroldo (o chefe) sussurra algo e Alberto lamenta:
_ “Meu Deus, o que vou fazer agora?!” (Havia perdido o emprego. A reunião fora um fracasso sem sua presença e um contrato não havia sido fechado.)
Ele sai então desolado, despedindo-se dos que seriam, a partir daquele dia, seus ex-colegas de trabalho.
Não sabia pra onde ir, nem o que fazer. Não queria voltar pra casa e ver contas e mais contas sobre a mesa. Caminha então por uma rua desconhecida, sem rumo. Logo à frente, avista uma lotérica e se lembra da aposta que havia feito há um tempo atrás. Entra, confere os números sorteados e compara-os com os de seu bilhete. Confere e compara-os incansavelmente. Tomado por uma súbita euforia, Alberto berra aos quatro ventos:
_ “PUTA QUE PARIU! EU GANHEI!”
Sai correndo direto para o banco mais próximo. Precisava sentir logo o cheiro e a textura de sua fortuna. No caminho, mil planos surgiram em sua mente. Viagens, apartamentos, festas, mulheres. Precisava ter tudo isso em suas mãos o mais depressa possível. No banco procura pelo gerente e reclama seu prêmio. O gerente (Arnaldo) espanta-se com tanta euforia, pede o bilhete para que seja conferido. Analisa-o e balança a cabeça negativamente. O prêmio fora sorteado a mais de noventa dias. Alberto demorou muito para reclamá-lo. O governo já havia abocanhado aquela que seria sua grande fortuna.
Com a cabeça fervilhando e ainda atordoado, Alberto sai do banco, passa na banca de revistas mais próxima e compra o jornal do dia. Dá uma olhada nos classificados e circula certo ponto do grande papel cinza. Olha pro céu, vê que o sol tomara novamente seu posto e segue pela rua pensando: “Seja o que Deus quiser”.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cores da estação



As cores se refizeram e me livraram daquele branco absoluto. Volto a sentir cada tonalidade outra vez, porém, de maneira inédita. Sou agora como um quadro, que recebe as primeiras pinceladas de tinta e se vislumbra com a intensidade e o brilho das cores que nele é depositado.
As cores voltaram para que eu pudesse pintar mais uma página do meu pequeno caderno. Nele espero pintar meu mundo tal qual ele é. Pintarei pessoas, coisas, lugares e sorrisos. Pintarei nele o seu sorriso. Pintarei esse sentimento bom que nasce e logo virá a se transformar.
Estou disposto a arriscar e é nas cores mais vibrantes que eu aposto. As cores da minha estação que nunca tem hora certa para acabar.
Peço apenas que não se espante se acaso meu amarelo lhe enjoar, ou se meu vermelho ofuscar seus olhos. Sou artista aprendiz e não conheço a dosagem certa daquilo que quero expor. Só agora sinto que deixo de lado aquele mundo abstrato, de um branco que aos poucos se encardia.
Só agora, depois que um sorriso sorriu pra mim.

sábado, 11 de julho de 2009

Fantasias


Agora o coração já não bate como antes. Parece que deixou de ser uma caixinha vermelha repleta de um sentimento bom, e voltou ao seu estado anterior de músculo. Apenas mais um órgão cheio de veias e artérias que mantém meu corpo vivo. Aquele bom sentimento se trancou mais uma vez, e ao que parece, está decidido a esquecer por tempo indeterminado o esconderijo da pequena chave que o prende.
Poucas foram as pessoas que tiveram livre acesso a esse coração juvenil, e as últimas visitas marcaram sua presença de maneira incomum. Mesmo não querendo, ele soube acolher, e sentiu que talvez o casamento depois da faculdade e o passeio com os sete filhos no parque fossem um bom desejo para o futuro. Ele quis arriscar, e talvez, se tudo dependesse só dele, a mudança para o Acre seria feita de bom grado,e a casa na fazenda seria construída no mehor estilo: Será do jeito que a gente sempre quis.
Mas assim como se fez, o encanto se desfez. O príncipe volta a ser sapo e a fantasia termina à ultima badalada do relógio. Então o coração aprende que arriscar nem sempre é uma boa ideia, e que nenhum casinho a toa apagará aquele amor antigo. Aprende que nada é por acaso, e que essa história está longe de ter um final. Seja ele feliz ou não.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Descobri que...

...Sou um VICIADO.
Meu único vício, você sabe qual é.
Meu vício.
Único vício.
Vício meu.

quarta-feira, 10 de junho de 2009



Hoje estamos aqui.
Andando quase correndo. Cansados e sempre andando. Andando e sempre vivendo. Vendo a chuva passar a lavar o tempo.
Queremos que o agora nos traga a certeza do amanhã. Amanhã incerto. Sempre incerto; sempre amanhã. Nossos sonhos estarão lá? A casa no campo, o cachorro no quintal e o pé de laranja estarão lá? O sorriso da criança, o passeio no zoológico, o apartamento na cidade e as contas sobre a mesa serão reais?
INCERTEZA. Nos aquecemos sob seu manto que custa a envelhecer.
É dia, mas fechamos os olhos e sonhamos acordados. Lá está a casa no campo, o apartamento e as contas a pagar. A criança brinca com o pequeno cachorro e arranca a laranja amadurecida.
Abrimos os olhos e voltamos ao agora.
Tudo é incerto, porém os sonhos adormecem.

sábado, 23 de maio de 2009

Questionamentos?



Certa vez, um programa fútil na TV me roubou o sono de que tanto precisava. Passava das 3:00h da manhã e toda agitação da cidade havia cessado. Por outro lado, em algum lugar não muito distante, um galo [nobre sobrevivente na paisagem urbana] fazia questão de anunciar as primeiras horas do dia.
Pode parecer cômico, mas aquilo me fez pensar. Não no corre-corre diário, nem em galos ou outro bicho qualquer, mas sim em mim mesmo. Questionamentos invadiram minha mente e nem mesmo um banho gelado foi capaz de afastá-los. Então eu pensei.
- Como seria se meu nome não constasse naquela lista pela qual eu tanto esperei?
- Como seria se apesar de desejar, eu não tivesse coragem de encarar essa experiência?
- Como seria se eu não chegasse a conhecer fulano ou cicrano?
- Como seria se eu não estivesse aqui onde estou? Como seria?
Ando vendo muito filme de quinta e a comida do meu almoço já não agrada mais. (Tenho que reclamar!)
Ainda assim essas interrogações me pertubaram e alimentaram a insônia que tardou a me abandonar. Então dormi, e ao acordar, não pude conter um sorriso incrédulo e satisfeito ao mesmo tempo.
Eu estava feliz por ter certeza de que nunca saberia tais respostas.