
Há de se acreditar na volta dos sonhos. É certo que lá fora os raios caem do céu como fruta amadurecida, trazendo uma luminosidade agressiva que cega os olhos, mas ainda assim há de se acreditar na volta dos sonhos. Posso ter um pensar carregado de utopias, fantasiando dias de puro azul, mas se assim não for, como esperar que a tempestade vá embora e leve o medo de uma vida cinza com ela?
Há de se acreditar também na volta dos sorrisos sinceros e dos abraços de calor e conforto. Posso pecar por ser romântico, por esperar que a vida se desenrole do jeito como a pintei no meu caderno de cor, por achar que terei minha casa no campo, e ainda, por acreditar que um dia acharei minha outra metade numa rua movimentada e a reconhecerei apenas pelo olhar. Mesmo pecando, espero.
E nessa espera, receber ligações na madrugada com um simples desejo de boa noite. Depois perder o sono, se revirar na cama, sentir fome e se alimentar de música. Talvez assim, ao som de boas canções, conseguir perder o medo de perceber o novo como uma possibilidade de dias felizes e deixar que o próximo fim de semana seja doce.
Sim, há de se acreditar em tudo que se deseja. Tecer os dias na medida em que a linha da vida assim permitir, e aos poucos, sentir que o sentimento pode voltar à moda na próxima estação.


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