Aquela foi mais uma frase jogada ao vento. Talvez apenas da boca pra fora; talvez não. Mais uma frase jogada como flecha, que saiu e feriu. Sangrou e o sangue não foi estancado. Continua a jorrar em grandes quantidades, manchando aquilo que se dizia concreto e agora desmorona aos poucos, atingido por flechas. Saiu ferindo e manchando uma história; manchando momentos e cobrindo com o denso líquido vermelho, que ainda jorra, um sentimento que há poucas semanas respirava ileso e agora se afoga.
Pode acontecer que a hemorragia não dure mais que um ou dois dias, e o ferimento logo cicatrize. Pode ser que tudo se resolva e flechas não mais sejam lançadas, mas sempre haverá uma cicatriz. Hoje o amigo agressor não compreende; não percebe que o mundo gira e a vida é cheia de surpresas e mudanças. Ou quem sabe ele compreenda e não aceite. Não se sabe. Talvez ele não entenda de imediato que seus desejos nem sempre vencem e certas coisas tomem um rumo não imaginado por ele.
Dessa vez seus desejos e planos vão ficar apenas na memória e nas palavras que ferem. Uma luta contra os desígnios da natureza seria interminável e inútil. Só haveria mais ferimentos e nenhum vencedor. Dessa luta restariam apenas perdas. Perda de tempo, de sorrisos e abraços. Hoje o amigo ferido se afasta do amigo agressor. Ele precisa se recuperar, estancar o sangue e esperar para ver a dimensão da cicatriz que surgirá.
Quanto à dose de companhia diária necessária para que tudo volte ao normal, só o tempo poderá receitar. Enquanto isso deixe estar. Meu mundo sempre esteve aberto. Peço apenas que abra bem os olhos para perceber as cores que hoje ele possui. Aguardo uma visita breve. Não demore.


1 comentários:
Sempre acreditei que os amigos agressores não valem a pena.
Amigos podem te ferir, mas sempre irão reconhecer as cores que você resolve colorir seu mundo.
Postar um comentário